Ok! Desta vez não começarei com “cá estou eu de novo”. Prometo!
Hoje, na verdade, quero fazer uma reflexão antropológica. Mas é lógico que não tenho cacife pra isso, mas a gente se aventura.
Que a cidade de São Paulo é a maior metrópole brasileira isso todo mundo já sabe. Da mesma forma se compara o conhecimento tássito dos problemas desta capital paulista. Saúde, educação, segurança e transporte. Poderímos usar como pilastras essas quatro questões. Mas vamos simplificar porque não vou reclamar da cidade parecendo um velho ranzinzo. Agora, sem dúvida nenhuma, o que deixa muito nego encasquetado é a falta de bom senso da população. Quer ver?
Veja a cena: um ônibus lotado em pleno horário de pico com choque entre bundas, cotoveladas nas costas e encoxadas. Parece uma guerra. Aliás, é uma guerra. Uma guerra por um melhor conforto. A viagem já não está lá essas coisas devido a super lotação. Quando derrepente surge aquele batidão. Tum, dum. Tum, tum, dum. Tum, dum. Tum, dum, dum, dum. O engraçado que é sempre a mesma musicalidade. O que sobra de criatividade para tirar de comunicador instantâneo de computador, seriados, piadas e inglês mal falado para criar um batidão, falta a mesma essência na hora de compor a música. Tum, dum. Tum, tum, dum. Tum, dum. Tum, dum, dum, dum. De vez em quando aparece o sorrizo do Pica Pau. Héhéhéhéhéhéhéééééééééééé.

- Quer pagar quanto?
Tum, dum. Tum, tum, dum. Tum, dum. Tum, dum, dum, dum. Hé. Tum. Hé, tum. Hé. Tum. Héhéhéhéhéhéhéééééééééééé. Tum, dun. Tum, tum, dum. Tum, dum. Tum, dum, dum, dum… A propósito, a melhor definição para o puncadão é uma reticência.
E quando o cara dorme no ônibus com a boca aberta e a cabeça levantada e encostada em diagonal no vidro e ao levantar o cabelo da pessoa fica quadrado. Comédia! O cara está lá sonhando com a patroa e derrepende entra uma muvuca no coletivo e, consequentemente, a zona. Parece uma feira livre. É cada uma! Falta de bom senso.
E na escola: o nerd se concentra na aula enquanto os papeis voam na sala. E de vez em quando o coitado ainda leva uns ‘pedala’. “O mano, paraí, vai. Por favor. Deixa eu aprender quieto”. Tem os mais revoltados também. “Ooohhhh, filho de uma raposa com hemorróida, para com essa merda! Se jogar de novo vou dar um murro!” Falta de bom senso. Bom senso do bagunceiro, claro.
E no trabalho? Meu Deus do céu! Não tem lugar com menos bom senso do que o ambiente de trabalho. Ou será que tem? Eu até agora não vi. Quando não são as fofocas de rolam soltas, são as músicas. Aleluia! Bom, não quero entrar nesse mérito da questão porque nós vivemos sob um regime de censura. Mas que é chato é chato. Todos são diferentes e um querendo que o outro seja igual a si. Ôh perca de tempo! Só falta abrir a cabeça do peão com uma marreta e enfiar o ritmo a força pro outro também passar a cultuar. Pura falta de bom senso.
Por que sou obrigado a ouvir o que você ouve? Por que você é obrigado a seguir a religião que eu sigo? Por que você tem de dirigir como eu dirijo? Por que eu tenho que trabalhar como você trabalha? Por que eu tenho que fazer o que você faz? Por quê? Porque, por que, porquê ou por quê? Por quê?
Vejo que a maior luta do ser humano é ele ser ele mesmo para si próprio. Acho que é por isso que o grande Padre Pio dizia que nem ele sabia quem ele era. Não precisa mostrar-se aos outros. Pra que testemunhal? Testemunhal se faz com a vida, no curso do dia-dia, não de forma planejada e mesquinha. Quanto mais se mostram como são mais robotizado se mostra ser. O ser é essência, não aparência. E a essência começa pelo bom senso. Aleluia, irmão!




