Publicado por: jsra | 15 15UTC julho 15UTC 2008

Ensino ou “encino”?

Esta é uma crônica que fiz como trabalho de redação jornalística. “Ensino ou ‘encino’?” tem como protagonista uma pessoa que muito amo e admiro: meu pai, além da gafe cometida pelo governo de São Paulo em distribuir um lote de apostila de inglês com erro de português. Parece estranho (inglês com erro de português), mas é verdade. 

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Eram seis quilômetros para chegar à escola. Seu pai não gostava que ele estudasse, dizia que o “encino” não o levaria a nada. O caminho da escola era envolto de aventuras. Com origem humilde, chegara a percorrer os seis quilômetros descalço para seu chinelo durar mais. Quando avistava um Jipe, a euforia tomava conta dele na esperança de ganhar uma carona. A estrada de terra possuía de um lado cana de açucar. Do outro também. Eram vacas e cavalos, casinhas de barro e fábrica de farinha de mandioca, canas e mais canas.

Todo obstáculo era remunerado pelo prazer de aprender. Queria sair da caverna, como recomenda Platão. O resultado, apesar de não ter completado o hoje ensino médio, é um homem inteligentíssimo, capaz de fazer cálculos ou fórmulas para cálculos em pouco tempo. Tudo bem que as fórmulas são feitas em programas de computador, mas há um fato importante que o difere de alguns: ele não fez curso de informática.

Naveguei num portal de notícias e li que um lote de apostila de inglês fornecida pelo governo do estado de São Paulo foi distribuída aos docentes da rede pública com erro de português. A palavra ensino estava grafada “encino”. Outra notícia numa folha de jornal de grande circulação também de São Paulo dizia que a maior parte dos melhores alunos não pretende se tornar professor. Diferente da Finlândia, país que tem um dos melhores índices em relação ao ensino, onde os melhores alunos querem seguir carreira acadêmica.

Ao voltar da escola, Felix tinha mais aventuras. O cenário era o mesmo. Mas a cada volta, seu sorriso é mais ardente. O ar de felicidade envolve aquele menino. Ao passo que a afeição de seu pai esmorecia por não ser entendido ao afirmar que o “encino” não o levaria a nada. Realmente, o “encino” não leva ninguém a nada, quem leva é o ensino, o conhecimento, o saber. A cada experiência, uma dádiva. A cada dávida, um sorriso.


Respostas

  1. Oie! Gostei muito do seu blog! Parabéens!

  2. Opa! muito obrigado pela visita.


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