Publicado por: jsra | 23 23UTC setembro 23UTC 2008

O hospital sem médico

Depois de muito tempo, cá estou eu para escrever neste blog. E hoje com muita revolta!

Esse final de semana praticamente fiquei de molho na minha casa, sobretudo sexta e domingo. Meu pai viveu algo parecido, porém ficou de molho no domingo e no hospital. 

Na sexta ele sentiu fortes dores no lado inferior esquerdo da barrida e foi ao pronto-socorro Medial Saúde de Santo Amaro para ser tradado da bendita dor. Nós aqui de casa desconfiamos de pedra nos rins. Mas como não somos especialista da área da saúde deixamos o médico diagnosticar o problema. O médico que o antendeu, por sua vez, disse que não era nada de mais e passou um Buscopan para ele tomar e o liberou. Como quase tudo no Brasil o atendimento ao meu pai foi simples assim. Tipo: amo muito tudo isso, sabe?  

No sábado, o velho, teimoso que é, fez força física e no domingo já acordou ‘bixado’ de novo. “Jú acorda pra você levar o pai no médico porque ele tá sentido aquelas dores de novo”, disse-me minha irmã as 9h da madrugada do domingo. E lá vamos nós. Levanto da cama, troco de roupa, escovo os dentes, lavo o rosto, tiro a caranga da garagem e bora para o hospital/pronto-socorro, agora o Jaraguá ali em Moema.

Chegamos lá por volta das 11h. Meu pai, seu Félix, foi atendido logo em seguida. Aguardou no máximo 15 min. Até aí estava tudo ótimo. Eu até aproveitei para passar no clínico geral e pegar um remédio para minha garganta que estava ruim. Minha voz parecia a de um Urso. 

A drª que atendeu meu pai disse-lhe que parecia apenas dores musculares e deixou-o tomando soro. Mas como as “dores musculares” eram fortes e elas não passavam, a drª pediu um exame de tomografia. Até que enfim, doutora! Achei que ia mandá-lo para casa de novo e empurrar com a barriga novamente.

Mas aí começa o descaso. Esperamos no hospital mais 5 horas para fazer o bendito exame. Sabe por quê? Então vai saber agora! Porque não tinha médico, ou melhor, o operador do tomógrafo. Bacana isso. Aí, meu pai já com a bunda quadrada de tanto esperar resolveu falar com os enfermeiros sobre a demora. Enfim resolveram ligar para o operador. Corre daqui, corre dali, espera, levanta, senta, anda. Meu pai já estava inquieto. Quando, mais ou menos,  às 17h10 falaram que o operador ia demorar mais uma hora, ou seja, chegaria as 18h. Muito legal isso. Primeiro o cara chegaria às 16h. Depois de mais uma hora do tempo que era pra ele ter chego, portanto as 17h, nos falam que ele só chegaria as 18h. Eu tenho a leve impressão que isso chama-se omissão de socorro, mas tudo bem. Afinal eu não consigo entender como um hospital pode ter um equipamento mas não tem operador. 

Ahhh!!! Detalhe: o operador não estava lá porque domingo é dia de plantão e o plantão dele era ficar na parte da manhã, até umas 11h, no hospital Jaraguá, depois ir para outro hospital e apartir das 16h voltar para o Jaraguá. Tipo, o cara tinha que se virar em três. 

Ma graças a Deus que meu pai ainda conseguia andar, com dificuldade mas conseguia, falar e contar umas piadas. Moral da história: agente – minha mãe, meu pai e eu – ficou mais de 5 horas esperando para fazer um exame – meu pai sem comer nem beber nada. Como a demora foi tanta e não tinhamos uma certeza que quando o operador ia chegar, resolvemos ir embora e meu pai acabou não fazendo a tomografia. Cara, isso é muito batuta! Fantástico. Daqui a pouco os planos de Saúde, sobretudo o da Amesp do qual meu pai é conveniado, vão fazer um planfeto assim: Ei! faça seu plano de saúde, fique 5 horas sem comer nem beber nada esperando para fazer um exame. E de quebra você não conseguirá fazê-lo porque não temos operador de tomógrafo. E tudo isso por apenas XXX. Planos especiais para família. Aproveite!!! 

Hoje, segunda-feira, dia 22, ele voltou lá no Jaraguá para fazer o exame. Pra nossa surpresa, o equipamento está quebrado. Primeiro foi o operador, agora o equipamento. O coitado teve de ser transferido para o hospital Alvorada para fazer o bendito exame. E pior, ele chegou hoje no hospital Jaraguá umas 9h da manhã e entrou na sala do exame (do Alvorada) agora a pouco, umas 17h. Nossa! São 8 horas de espera, que somadas as 5 ou 6 de ontem, são apenas 13 horas esperando um exame de tomografia. Realmente a tecnologia hospitalar está num alto nível. E o atendimento também. Quando eu crescer quero trabalhar nesse hospital.


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